Fome,
Um pouco de sono, cara lavada. Tremo. Arrisco
Começo o dia
Quero mais água e mais um sonho
Engraçado, tô me achando mais alta, mais magra, menos eu,
Mais nada!
Será que chegou a hora? Devo ir, talvez, pra África? Cumprir rituais?
Ou, quem sabe, profana, ler a Bíblia?
Depois disso, sacralizar minha carne,
Uma vez mais
Vir a ser sujeito dessa alquimia feminina?
Agora? Não tenho toda a idade.
Tanto compromisso, novena
Trabalho, Eu não cumpro
Nem horário.
Hoje me detenho. Só levo a sério, aquilo que gosto.
Esforços com rimas impossíveis,
Alguns flertes com novas escritas.
Sou o azarão de todas as apostas.
Faço prosa no lugar de poema
Apago! Brigo. Reato.
Sinto muito, filha,
Serei uma avó esquisita.
Você cozinha bem enquanto eu brinco
E rio de aprender a ser pequena
E a escrever com minha neta.
Come,
E, por favor,
Não grita.




0 Respostas para “Pressentimento”